Nossa rebeldia é o povo no poder

Publicado: setembro 1, 2016 por oliviaprosa em Olivia P.
Tags:, , , ,

Não dá mais pra ficar sozinha!

E essa leitura,

na atual conjuntura,

já não é somente minha.

Se não for a gente a clamar,

o frio falará.

Se não nós, a lava.

Se não livres, na luta!

Ainda que armada.

Juventude fogo no pavio

Não fugirás à luta,

ó, pátria amada que habitas, Brasil!

Resistirás SEM TEMER,

porque nossa rebeldia,

nossa maior ousadia,

é o povo no poder!

 

7 a 1

Publicado: janeiro 27, 2016 por guigandolfi em Guilherme Gandolfi
Tags:, , , ,

7 a 1

Seu celular tocou e ele se levantou com um sorriso cansado, aquele seria um bom dia. Tomou aquela efusão quase transparente que sua mãe chamava de café; comeu um pedaço de pão com margarina, junto de seu padrasto. Seus meio – irmãos ainda dormiam, aquele dia nenhum deles teria aula por conta do torneio de futebol, mas ele não perderia tempo na cama, a juventude é preciosa e ele sabia disso.

Começou a trabalhar cedo, quando sua mãe se casou pela segunda vez é que pôde voltar a ser apenas um estudante. Estava no último ano do ensino médio e a faculdade era apenas uma ideia distante, coisa de playboy. Então devia aproveitar bem seu último ano de “vida mole”, como falava seu novo pai, na verdade o único pai que conheceu.

Despediu-se do casal que desceu a ladeira rumo aos seus empregos no centro. Depois de cuidar de suas tarefas em casa, enquanto os outros dois meninos se levantavam almoçou os restos do jantar, comeu na frente, pois as doze a sobremesa seria servida pela policia, não que sua mãe soubesse é claro.

Vestiu-se de vermelho, a cor da luta, como diziam seus novos amigos, aqueles que conheceu a um ano, em junho de 2013. Saiu de casa quando os outros dois irmãos colocaram suas camisetas verde-amarelo.

Dois ônibus, um metrô e muita caminhada depois, ele estava no centro. No rosto um misto de ansiedade e medo. Aos poucos as pessoas começaram a chegar, trazendo bandeiras, faixas, cartazes , batuques e panfletos. Muitos jornalistas também esperavam a meia distância. Por um segundo ele pensou – Vai dar tudo certo.

“Viemos lutar contra a desigualdade e denunciar estes elefantes brancos, exigir mais saúde, mais educação, moradias para todos e nosso direito de protestar que esta acima do lucro de qualquer empresa” – disse a mulher no microfone. Os outros, quase todos jovens como ele, começaram a cantar em coro suas palavras de indignação. Seus amigos não vieram, pois têm “divergências políticas”.

A marcha começou, mas não durou muito. Trajando roupas que lembram um filme de ficção cientifica os servos do Estado logo atacaram a manifestação. Dai pra frente “é só tiro, porrada e bomba” como diria o funk que ele gosta.

Correu, pois sabia que se ficasse seria punido por mais de um crime e um deles seria ter na pele a cor preferida dos capitães do mato. Suas pernas finas o levaram para longe dos agressores.

Resolveu se esconder em um bar. Ninguém percebe sua presença, todos os olhares estão voltados para a tela e nela pôde ver os times entrarem em campo.

O hino começou e todos os clientes cantavam o  hino alegremente. Isto o incomodou – Onde estavam esses braços fortes, defensores da igualdade e liberdade, quando seu brado heroico foi calado pela clava da injustiça? Entre outros mil ele teve de fugir a luta, pois a gentileza da pátria queria acabar com seu sonho risonho.

Decidiu, depois de pensar um bocado, que iria torcer. Afinal, gostava de futebol e tinha o direito de se divertir. Seu torcedor interno se levantou lentamente, até que o camisa 9 o despertou de vez. Quando uma bola voou próxima do gol adversário, mas saiu por pouco pela linha de fundo, gritou com os outros, “Uúúú!”

Logo, em um contra-ataque, a redonda vai para o fundo da rede, só que na rede errada e os europeus abrem o placar em cima do time da casa. “Melhor assim, quem sabe o povo acorda pra vida”. Pensou meio à contra gosto, como quem diz, “nem queria mesmo…”.

No entanto a defesa brasileira se mostrou tão vulnerável quanto o ato em que ele estava e antes que fosse possível reagir a derrota se transformou em goleada, esta, por sua vez, virou humilhação, “a maior da historia”, informa o comentarista. No estádio o público burguês se revoltou e distribuiu insultos homofóbicos, sobrou até para a presidenta. Esses caras não se comportam como torcedores frustrados e sim como consumidores descontentes com um produto que resolvem atirar seu ódio no Vendedor – Refletiu o jovem.

Após o apito final, com o microfone na boca e água nos olhos o zagueiro explica. “Só queria dar uma alegria pro meu povo sofrido, me desculpem”. O garoto saiu do bar com esta frase na cabeça. Não seria este também o seu objetivo? Dar alegria ao povo.

Na volta para casa sentiu uma tristeza profunda, como se tivesse sido tudo uma única grande derrota, no campo e na rua. Pensou no ditado popular (ou seria uma musica?). “Se meu time não for campeão, eu faço uma revolução”.

-Bem que seria bom, se fosse tão fácil – Disse em voz alta na rua vazia.

 

Guilherme Gandolfi

Quanto mais tu me libertas, mais preso a ti eu me sinto..

 

eu vou aceitar um pedaço de chiclete
se você não se importar
eu vou aceitar um beijo
se você não se importar
eu vou aceitar um abraço um afago
colado calado do jeito que só você
sabe dar
eu vou aceitar roupas no chão
e um beco escuro ao som de joséphine bacon:
“não diga que me ame
me abrace de vez em quando”
a mesma face dói menos
a cada valsa
um maxilar rompido volta ao início
mas pára de gritar

sabia que vidro temperado não tem gosto?
pois são meus ossos na dobradiça

sua armadilha minhas feridas
vargas não queimaria tanto café
suas carícias minhas fissuras
arco-íris em roxo escuro
então recolha os destroços
e fique com o que resta
sou-te horoshima nagasaki
e um blues esquecido além-mar

(Luiza Romão em
poema-convite pro exercício cênico “não diga que me ame, me abrace de vez em quando”)

De-væg(ando)⁵⁺¹

Publicado: abril 29, 2015 por oliviaprosa em Uncategorized

Nossa!

Lembra daquele sarau?

Aquele poema genial

até hoje ecoa em mim,

aquela voz, naquele ritmo,

um lugar incrível,

um momento inesquecível,

próximo ao Poeta;

Ah! Declamando me afeta…

a alma, com calma…

Me alimenta

mastigo as palavras

ingiro a arte

que, de mim, faz parte

me inspira, movimenta

e me lembra…me lembra…

Daquele sarau

Que depois continuou

numa noite sem luar

numa mesa de um bar

ouvindo a banda a tocar

E vendo a tia a dançar

(e o povo a filmar)

Enquanto comia um lanche

de queijo de cabra

Veggie era o nome dessa delícia

E no meio de uma música

gritaram:

-Para, para, para, pó pará!

Vou me embora pro Pará

ou quem sabe Paraná!?

Agora já pode parar

Essa zoeira pode parar…

Calma é só brincadeira

Quero mais uma vez brindar

e com vocês

concluir a poesia

e regredir sempre às rimas

eu, você, você, você e você

é nóis!

PS: E a tia ainda tá dançando.

Olívia P. Rosa, Guilherme Gandolfi, Bruna Takeuti e Anderson Santos
Presenças inspiradoras: A banda, o bar, a ausência do luar, o Veggie, a tia dançando, e a mãe da Olívia

Ainda uma vez, me abrace?

Publicado: abril 16, 2015 por oliviaprosa em Olivia P.
Tags:, , ,

Ainda uma vez, me abrace!

Note, não peço que me acompanhe,

sei que, por mais que me ame,

este sentimento quer deixar para trás.

Eu te amo, compreenda.

Sei são muitas as diferenças

entre nós, um entrave,

mas ainda uma vez, me abrace.

Me abrace e saiba,

por você desistiria até de mim

já não sei se seria o melhor ao fim

e, por isso, sinto raiva, me perco…

Ainda uma vez, me abrace,

desarme o que sentimos de ruim,

imploro, nunca se esqueça de mim

ainda não terminei…

Olívia P. Rosa

Gueta Vive

Gira a chave
Gira o motor
Giram as rodas
Em cima das rodas da Bike

Atropelam o estudante
Tudo para
Mas o tempo não gira de volta

O Gueta foi para de baixo do chão

A bici foi para o lixão

E a ciclofaixa?
bom, essa não interessa o prefeito, não

Ainda sim
Giram os pedais

Giram os aros
Giram as rodas
Gira também a roleta russa do descaso

Guilherme Gandolfi
ao Nikolas Gomes o “Gueta” e a todos que ainda sofrem com sua ausência.

10363905_774652599233978_8242675302944520548_n

Liberta-te

Publicado: março 18, 2015 por oliviaprosa em Olivia P.
Tags:, ,

Vai, liberta-te!

Grite o mais alto que puder

evidencie sua dor,

seu terror.

torne palavras

palpáveis lágrimas,

sutis, macabras,

carente de belas águas

que escorrem do amor.

Vem, respira!

Infla teus pulmões

e aos doces ares daqui

retorna tuas emoções.

O seu humilde lar,

teu aconchego.

Sua bolha-tampão

ou pavio, explosão,

sela eficaz(?),

protegendo-o e deixando para trás

a atmosfera densa

que prendia-te… Não mais…

Liberta-te!

Olívia P. Rosa